A situação econômica que vivemos hoje no Brasil é fruto da desastrosa política econômica dos golpistas, com as medidas neoliberais, o desmonte do estado e uma carga tributária pesada em cima do consumo. Assim, mesmo tendo a Petrobras como uma das maiores produtoras do mundo, o combustível brasileiro é caro e segue aumentando. Não há quem não tenha percebido nos últimos dois anos um processo de elevação dos preços da gasolina, do diesel e mesmo do gás de cozinha que corrói os salários das famílias trabalhadoras no país. O aumento no diesel, inclusive, causa um efeito dominó de aumento em todos os bens para o povo, pois o preço final do que comemos e vestimos é influenciado pelos custos elevados do transporte. 
 É neste contexto que nasceu a greve nacional dos caminhoneiros, movimento que a direita e o empresariado tenta cooptar desde o início por entender sua importância estratégica. Estes trabalhadores que mostram a força que a organização e a luta da classe têm, estão entre os mais vulneráveis do Brasil, com jornadas longas, condições precárias para descanso, alimentação e pouca oferta de serviços de saúde adequados a sua realidade laboral.
 Não é difícil compreender o grande apoio que esse movimento grevista tem recebido dos mais diferentes segmentos da sociedade, despertando a solidariedade e mobilizando motoristas urbanos, agricultores, motoboys dentre muitos outros trabalhadores e trabalhadoras em todas as regiões brasileiras. Há de se considerar ainda que a conjuntura de completa deslegitimação dos poderes públicos bem como das mais variadas instituições sociais, colabora para a legitimidade dessa greve junto ao povo, visto que tais paralisações expressam o sentimento coletivo de necessária desobediência frente ao governo e ao projeto tocado pelas elites.
 E NESSA CONJUNTURA, QUAL A SAÍDA?
 Algumas vozes têm defendido a redução dos impostos que incidem sobre os combustíveis. O acordo temporário firmado com o  governo do golpista Michel Temer favoreceu somente aos patrões dos caminhoneiros, donos das empresas de transporte e logística, que traíram os demais caminhoneiros autônomos, afetados diretamente pelo preço do diesel, que sai do seu próprios bolso. Além disso, não irá resolver em nada o aumento dos demais combustíveis.
 Um dos impostos que serão desonerados, é o PIS-Cofins.Um tributo que financia a seguridade social e uma redução em sua arrecadação não favorece as maioria da população, que acessa o SUS, o SUAS e a com destaque, a Previdência Social, dentre outros serviços. O povo brasileiro tem razão em estar indignado com o excesso de impostos no Brasil, e essa não é uma pauta menos importante. A reestruturação das contas públicas no país não pode deixar de considerar a necessidade de diminuição dos impostos sobre os trabalhadores. Precisamos de reforma tributária que desonere o consumo e cobre mais de quem mais ganha, os ricos. Deve ficar claro para todo o movimento grevista e apoiadores, que a retirada de alguns impostos não irá resolver o problema dos preços nos combustíveis, porque com a desoneração sobre esses impostos saímos perdendo em outras áreas e o preço do petróleo continuará influenciando sobre os demais combustíveis. 
 Com o golpe, uma das primeiras mudanças se deu na Petrobrás. A indústria petrolífera é dividida em muitas atividades – da extração ao refino e à distribuição – e a Petrobrás domina todas elas. As mudanças conduzidas pelo consórcio golpista fizeram da Petrobrás atuar como uma empresa privada qualquer,  sem compromisso com a população e à serviço dos acionistas.
 As política de ajustes de preços promovida por Temer e Pedro Parente, que repassa as variações dos preços internacionais para a população, veio acompanhada de uma mudança na estratégia de operação, com o quase abandono das refinarias, passando a exportar o petróleo cru para depois importar o diesel e a gasolina, mesmo o país estando entre os maiores produtores de petróleo e de derivados do mundo. Isso significa que quando o valor do dólar sobe o preço dos combustíveis para o povo sobe também, porque o dólar é o dinheiro utilizado para essas compras de diesel e gasolina e, dessa forma, cada mudança do preço do dólar – não controlada e não influenciada pelo Brasil -, acaba impactando a vida de todos os brasileiros.
 A Petrobrás não foi criada porque é bonito ter uma empresa estatal com brasão verde e amarelo – foi criada porque desde a primeira metade do século passado ficou claro que combustível não é uma mercadoria qualquer, mas sim um item importante para o desenvolvimento do país, sem o qual os brasileiros se tornariam dependentes dos países estrangeiros, o que gera um impacto sobre o custo de vida dos trabalhadores e o custo de produção das empresas. A Casa Grande golpista brasileira ignora tudo isto e age contra o Brasil. Ao mudar a política de preços da Petrobrás eles nos retiraram um escudo que nos defendeu desde que essa importante estatal foi criada. Usando como desculpa a corrupção que eles próprios operaram na empresa, resolveram que a saída era a estatal ignorar as necessidades energéticas do Brasil e do nosso povo para beneficiar o lucro dos acionistas.
 A saída para a crise dos combustíveis não será possível sem que a Petrobrás volte a ser uma empresa que cumpra seu objetivo estratégico para o país, fornecer combustível barato e suficiente para o desenvolvimento nacional e o consumo das famílias. Petróleo é energia e energia não é uma mercadoria qualquer – precisamos lembrar disso para construirmos uma saída real para esse problema, e também para evitar o novo problema que esse governo golpista está produzindo com o projeto de privatização da Eletrobrás, operadora de outro ramo da energia que move o Brasil.
 FORÇAS ARMADAS
 Sem autoridade, o governo golpista quer normalizar a situação através da violência e do uso das forças de segurança, incluindo as  Forças Armadas. Uma saída inaceitável. É mais uma mostra da inabilidade do governo golpista em governar o país e mostra a crescente influência dos militares e seu uso contínuo para a solução de problemas no país, uma tendência perigosa. Ao mesmo tempo em que a soberania nacional é dilapidada, as forças armadas – que tem como missão a garantia dela – se prestam ao papel de linha de frente do golpismo e do entreguismo, atacando o país que deveriam defender e realizando tarefas para as quais não possuem preparo ou capacidade de resolver,como a intervenção federal no Rio de Janeiro.
 Apoiamos toda a paralisação e denunciamos quaisquer discursos que vão na contramão da soberania popular, dos direitos do povo que está farto dessa política de rapina, que tira dos 99% da população para sustentar os milionários do país. Entendemos que é hora de estarmos nas ruas com os caminhoneiros pelo controle nacional e diminuição do preço dos combustíveis, solicitando a revogação de todas as medidas que só precarizam a classe trabalhadora, nas ruas pela defesa de um país soberano, fortalecendo a denúncia do golpe que nosso país e nossas riquezas vem sofrendo, defendendo as trabalhadoras e trabalhadores e denunciando a precarização da vida e do trabalho.
 EM DEFESA DA SOBERANIA! 
 TODO APOIO À GREVE DOS CAMINHONEIROS! 
 CONTRA A INTERVENÇÃO MILITAR! 
 PELA CONTROLE E QUEDA DOS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS!
 PELO REFORÇO NAS MOBILIZAÇÕES NACIONAIS CONTRA OS ATAQUES DA CASA GRANDE!
 Brigadas Populares
 25 de maio de 2018
Todo apoio à greve dos caminhoneiros e à revolta popular em defesa da soberania nacional

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