“Tem que manter isso, viu?” será uma frase que passará para a história brasileira. Indica o ponto degradante em que se pode chegar um regime político no qual os interesses empresariais tomam a forma mais acabada de crime organizado, o pior tipo deste, por sua capacidade de produzir leis e definir os rumos do país. O autor da expressão, famosa nos noticiários, o presidente do golpe, Michel Temer, demonstra suas qualidades como autêntico agente da Casa Grande: primário, mafioso e negligente com as palavras, negligência advinda da “certeza” de que se pode fazer qualquer coisa.

Diante das denúncias (17/05/2017) que apontam para o crime de obstrução de justiça cometidas pelo presidente do golpe no sentido de orientar os donos da JBS/Friboi, Joesley e Wesley Batista, a realização de pagamento, uma “mesada”, ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e o seu operador, o doleiro Lúcio Funaro, também preso, para que ambos permanecem calados diante as investigações da Polícia Federal nos casos de corrupção envolvendo boa parte dos atores políticos brasileiros.

A delação dos empresários da JBS/Friboi ainda indicam como beneficiário da propina o Senador e presidente do PSDB, Aécio Neves, político protegido da Operação da Lava-Jato. Fato que demonstra uma profunda convulsão dentro do consórcio golpista.

Diante deste quadro é importante afirmar que no interior do golpe, os seus protagonistas possuíam unidade circunstancial, basicamente centrada em uma agenda de entrega dos recursos nacionais estratégicos para o capital estrangeiro (ex. Pré-Sal) e decomposição dos direitos sociais da classe trabalhadora. Agora, que parte das pretensões de “reformas” (ex. previdenciárias e trabalhista) encontraram forte resistência popular, procuram forma de se recomporem em um novo arranjo, capaz de dar-lhes condições de direção da sociedade, e assegurar o que já conquistaram, mesmo ao custo de descartar Temer, Aécio e até mesmo secundarizar Moro.

Dentro do golpe, a denúncia da JBS/Friboi e o entusiasmo da Globo ao condenar o governo evidencia uma convergência destes dois atores neste momento, com o objetivo de salvarem seus negócios. A Friboi, por não lhe interessar que seus proprietários tenham o mesmo fim de Eike Batista. A Globo, porque necessitar por um lado da JBS, que é a terceira anunciante da emissora, e que por outro já avalia que a força de Temer em conduzir as Reformas está seriamente comprometida, e, portanto, é necessário uma nova configuração política para que a agenda neoliberal siga seu curso. É bom lembrar que o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, antes de assumir o cargo atual foi Presidente do Conselho de Administração da J&F Investimentos, controladora da JBS – entre outras empresas – e segue ainda sendo um ator preservado pela Globo por representar também interesses do capital financeiro.

Cabe às organizações populares e democráticas brasileiras compreenderem o desafio fundamental e irrenunciável deste tempo: aproveitar a instabilidade no interior do consórcio golpista e agir unitariamente no sentido de empreender uma derrota contundente à agenda neoliberal, antipopular e antinacional que fundamenta a ação da Casa Grande brasileira.

A linha geral deve afirmar que:

1. Temer não reúne nenhuma condição de legitimidade e legalidade para se manter na Presidência da República. Sua renúncia está na ordem do dia.

2. Somente com a convocação imediata de ELEIÇÕES DIRETAS é possível recompor a legalidade rompida. Qualquer solução sem a participação do povo brasileiro é apenas uma reciclagem do golpe e não terá legitimidade e nem legalidade.

3. Não devemos cair nas ilusões legalistas que afirmam a impossibilidade constitucional das Eleições Diretas, uma vez que a mesma Constituição agora utilizadas para justificar Eleições Indiretas (sem a participação do povo) é a mesma que foi violada pelos deputados e senadores no processo de Impedimento da Presidente Dilma. O Congresso do golpe não tem legitimidade para escolher o presidente.

4. Devemos repudiar qualquer tentativa de impor um governo eleito indiretamente, sob a alegação de “unidade nacional”. A indicação indireta apenas imporá um governo biônico dos militares no caso da escolha de Nelson Jobim, do Judiciário no caso de Carmem Lúcia, dos bancos no caso de Henrique Meirelles. Estes ou quaisquer outros nomes eleitos indiretamente, serão, na verdade, a expressão dos interesses majoritários dos parlamentares brasileiros. Denunciamos ainda a manobra da Rede Globo no sentido de impor uma versão distorcida dos fatos que levam à criação de uma opinião corrente na qual as eleições indiretas é apresentada como única alternativa.

5. A situação demonstra de maneira clara a ilegitimidade do governo Temer e, portanto, como única saída, para a recomposição de algum nível de legalidade e estabilidade nacional, a declaração de nulidade de todos seus atos como chefe do executivo brasileiro. E ainda, diante da envergadura dos acontecimentos e abrangência das denúncias, devemos pressionar para que se paralise imediatamente a tramitação das Reformas Trabalhista e Previdenciária no Congresso Nacional.

PARA DERROTAR TEMER, AS ELEIÇÕES INDIRETAS E AS REFORMAS PREVIDENCIÁRIA E TRABALHISTAS TOMAREMOS AS RUAS E OCUPAREMOS BRASÍLIA NO DIA 24 DE MAIO.

DIRETAS JÁ! O POVO DEVE DECIDIR!

18 de maio de 2017

Brigadas Populares
Coletivo Rosa Zumbi
Fortalecer o PSOL
Iniciativa Militante

NÃO MANTEREMOS “ISSO”. DIRETAS JÁ!
Classificado como:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *