Mais um ano, mais um aumento e um ônibus sempre pior. As únicas mudanças na terrível mobilidade urbana de Florianópolis são constantes: tarifa mais cara, transporte coletivo pior, promessas quebradas e obras mirabolantes, que prometem “salvar” a cidade, inacabadas. Constante como a tarifa do busão é a resistência contra ela, que aparece com mais força quando chega o aumento. Em alguns bancos do busão ainda se vê o “R$2,70 Não Dá” riscado por cima com um “R$3,90” e hoje esperando outra atualização. Nos últimos anos a força das mobilizações tem ficado muito abaixo das grandes manifestações que travavam a cidade, faziam grande pressão na prefeitura e nos donos das empresas e barravam o aumento. 
 
 Para além de todas as questões colocadas pela conjuntura política e econômica – regionais e nacionais – um dos fatores centrais em tudo isso é a nova concessão do transporte coletivo, que colocou o Consórcio Fênix no controle dos ônibus até 2034, manteve o sistema ruim, caro e ineficiente e, de quebra, diminuiu ainda mais a partipação popular no processo e limitou a capacidade de mobilizações.
 
 Se todo ano há uma batalha contra o aumento, às vezes vitoriosa e às vezes não, o que perdemos no final de 2013 e começo de 2014 foi mais do que isto. A licitação fraudelenta – em que os únicos concorrentes foram os mesmos que operam o transporte desde 1926 [1] – é um marco de mudança de um ciclo. Empresários e prefeitura, num golpe pesado e perfumando a merda que é o novo sistema [2], nos derrotaram e perdemos não só uma batalha, mas uma guerra. O aumento da tarifa agora é sempre no dia 01 de janeiro, baseado em cálculos confusos (mentirosos) e vagos feitos pelos próprios empresários e homologado pela Prefeitura, sem nenhuma participação do povo ou sequer da Câmara Municipal. Em janeiro, com muita gente trabalhando na temporada, de férias ou fora da cidade, se faz mais difícil mobilizar. Com pouca força, não se derruba a tarifa e pouco se acumula para debater e transformar o transporte público e a mobilidade urbana de Floripa.
 
 Nesse cenário, é necessário repensar estratégia e tática. Somente o combo “panfletagem, ato e catracaço”, embora extremamente importantes, não dão conta de pôr no cotidiano do povo a importância do acesso pleno à cidade. Numa região com mobilidade urbana tão ruim e com um direito à cidade tão restrito quanto a Grande Florianópolis, o transporte é uma pauta fundamental, que deve estar na agenda o ano todo. Precisamos discutir e pautar mobilidade, direito à cidade, Tarifa Zero, transporte intermunicipal, modais de transporte, cultura do transporte individual, segurança de pedestres e ciclistas, acidentes, riscos as/aos motoqueiras/os, condições de trabalho de motoristas e cobradoras/es. Não dá de ficar refém dos projetos já atrasados de infraestrutura enquanto estes se centram na venda e circulação de mais carros. Tampouco sonhar com projetos como os de teleféricos, que na prática só servem para os ricos verem e venderem/especularem ainda mais a cidade. Uma ilha em que o transporte maritimo foi relegado ao esquecimento à décadas e que até hoje se promete com preços exorbitantes.
 
 Precisamos fortalecer iniciativas como as oficinas do Movimento Passe Livre, levando os debates para escolas, bairros, universidades e sindicatos. Levar a pauta para o cotidiano, construindo iniciativas territorializadas e Resistência Popular Prolongada para, assim, acumular força durante todo o ano e em todas as quebradas  das cidades da Grande Florianópolis, aumentando a capacidade de mobilização e garantindo que a luta contra o aumento não tenha um fim em si mesma, mas dê conta de apresentar um projeto de cidade mais justas e com mobilidade que garanta o ir e vir de todas e todos.
 
 Por uma Grande Florianópolis que caibam todas e todos!
 Construir no cotidiano uma mobilidade urbana da maioria do povo!
 Tarifa Zero Já!
 
 [1] “Formado pelas 5 empresas que controlam o transporte de Florianópolis desde 1926, ano em que os primeiros ônibus começaram a circular pela cidade, a Fênix irá explorar o sistema até 2034, totalizando 108 anos de controle do transporte da cidade! Nas palavras do TCE: “Constatando-se apenas a alteração de razão social e incorporação, com fortes características de grupos familiares e nichos de mercado”. ” https://www.cartacapital.com.br/sociedade/tudo-tende-a-piorar-depois-da-licitacao-do-transporte-em-florianopolis-5360.html
 
 [2] Inauguração do Sistema Integram de Merda (SIM) https://mplfloripa.wordpress.com/2014/06/25/inauguracao-do-sim-so-que-nao/
Luta permanente pela mobilidade urbana
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