Texto do camarada Pedro Otoni

Com a possibilidade de não conseguir os votos necessários para aprovar a Reforma da Presidência o governo decreta intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro. Durante a intervenção não pode haver emenda constitucional (inclusive a Reforma da Previdência) a não ser em um período de suspensão temporária da mesma (24h) (sic). 
 É claro que é uma forma canalha e brutal de sair da saia justa da perda de força no Congresso. 
 Irá aparecer para o conjunto da população como uma solução de “força” do governo, pois o senso comum tem sido construindo a muito tempo para aplaudir as medidas brutais como Exército nas ruas, ações espetaculares, etc. O que só serve para piorar a situação, como também já é sabido. Há, com certeza, mais vida ameaçadas durante a intervenção do que antes dela. 
 Em termos de manobra o governo fez uma redução de danos. No lugar de simplesmente não colocar para votar a Reforma da Previdência, ele coloca a possibilidade de não ser possível votá-la. E abre mais uma janela (estreita), caso a correlação de força mude, a possibilidade de suspender por 24 h o decreto de intervenção e aprová-la em um ataque relâmpago, no Congresso. 
 A solução para isso é manter a mobilização do dia 19/fev. E seguindo ampliando o custo político de qualquer medida do Governo. Ao mesmo tempo denunciar a intervenção militar no Rio, que não serve para outra coisa senão controlar socialmente  uma massa de trabalhadores imersos na crise do estado. 
 Não acho absurdo imaginar que uma nova onda de protestos nacionais de massas (parecidos aos de 2013) comece pelo Rio de Janeiro, no próximo período. O povo no carnaval já deu sinais do que pensa sobre tudo o que acontece no país, será esta inteligência prática, popular e coletiva que pode lançar a faísca que falta para incendiar o país.
Intervenção militar no Rio de Janeiro, reforma da Previdência e a faísca que falta
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