Dois dias após o Carnaval, Michel Temer e Luiz Fernando Pezão articularam novo golpe nos brasileiros, especialmente nos cidadãos fluminenses. É preciso lembrar que já houve intervenção militar no Rio de Janeiro, especialmente nas favelas cariocas desde a Maré até a Rocinha, passando pelo Jacaré.

Os resultados foram sempre os mesmos: Desperdício de dinheiro público, mortes de crianças e inocentes, desrespeitos aos direitos básicos e humanos dos moradores de favelas. Em ambos os casos, o crime organizado continuou agindo antes, durante e depois do circo armado pelos governos e exército.

Vamos em respostas concretas desmistificar a Intervenção Militar no Rio de Janeiro:

1) A intervenção já noticiada é uma cortina de fumaça para mostrar que o governo está supostamente fazendo algo, uma demonstração de força, para um problema geral do país: a Segurança Pública. Trata-se de uma ação puramente midiática que é característica de governos impopulares, como o Federal (Temer) e Estadual (Pezão).
2) Ela esconde a Reforma da Previdência num momento em que o governo não tem votos para aprová-la, por motivo da forte rejeição popular, inclusive demonstrada durante o carnaval carioca.
3) Ela, no entanto, abre a possibilidade de aprovação relâmpago da Reforma. Basta suspender a intervenção por 24hs, votar e voltar com a intervenção militar. Esta manobra serve para duas coisas: a) para pegar a população de surpresa; e b) reprimir violentamente qualquer protesto.
4) Essa medida pode “legalizar” uma intervenção militar geral, em qualquer cidade ou estado que “solicitar”, podendo ser a porta de entrada para medidas mais extremas, como suspensão de direitos constitucionais e até o cancelamento das eleições.
5) A intervenção não solucionará os problemas de segurança do RJ. É só lembrarmos da intervenção no Complexo da Maré durante mais de um ano, que, na prática, gerou um custo milionário aos cofres públicos e nenhuma melhora na segurança do povo mareense e carioca. Dinheiro muito superior ao investido em programas sociais nas favelas cariocas.
6) As Brigadas Populares e o Fortalecer PSoL defendem uma outra política de drogas, que não seja pautada pela lógica da criminalização e da guerra, que tem ceifados milhares de vidas, principalmente de jovens negros, Brasil a fora. Sabemos que os verdadeiros traficantes usam terno e gravata e transitam livremente nos espaços da alta sociedade brasileira e são intocáveis pelas forças repressivas do Estado.

O nosso carnaval já deu algumas dicas através da Mangueira, da Beija-Flor e da aclamada Tuiuti, do que pensa nosso povo sobre a atual crise política do país. Precisamos recorrer a esta sabedoria popular e coletiva para resistirmos e construirmos um novo ciclo de luta de massas no Rio de Janeiro e no Brasil, canalizando toda essa revolta popular mostrada no apoio ao desfile da Paraísos da Tuiuti no Carnaval Carioca para a luta popular e, assim, recuperar a soberania popular nas grandes decisões nacionais.

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2018.

Brigadas Populares
Fortalecer o PSoL

Foto: Panfletagem do Jornal da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro – Faferj na Favela do Parque União, no Completo da Maré, em plena ocupação militar.

 

Do Tuiuti à Caserna – A falsa Intervenção Militar no Rio de Janeiro
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