1. As movimentações do consórcio golpista e do golpe dentro do golpe (https://brigadaspopulares.org.br/nota-de-conjuntura-das-brigadas-populares-setembro-de-2016/) manifestadas nas delações da JBS ousaram em concretizar o que já era esperado: Michel Temer é descartável! Denunciado como participante de esquema de compra de silêncio de Eduardo Cunha em delação, não é mais possível manter a farsa do golpista e é preciso reafirmar: Fora Temer!

As últimas manifestações populares contra as medidas de austeridade impostas por esse desgoverno, como a greve geral nacional do último dia 28 de abril, demonstraram a crescente insatisfação popular com as desmedidas golpistas assim como apontam para a capacidade de tornar a luta dos próximos dias ainda mais intensa no país.

É necessário mobilizarmos nas nossas casas, locais de trabalho, escolas, espaços culturais, igrejas, e participarmos dos atos planejados em todo o país hoje e no próximo domingo, que exigirão a saída de Temer e Eleições Diretas Já! Também é urgente tomarmos Brasília no dia 24, para continuar denunciando as contra reforma da previdência, trabalhista e exigir a saída imediata de Temer, além da anulação imediata de todas as medidas ilegais aprovadas durante seu governo de exceção. Seremos milhares, marchando juntos contra os retrocessos golpistas!

Porém, só a saída de Temer e de sua trupe não é suficiente. É necessário não se deixar levar pelos editorais do grande oligopólio da comunicação, para quem Temer sempre foi descartável. As saídas colocadas pelo consórcio golpista apontam para um cenário de permanência do estado de exceção e nulidade democrática. A possibilidade das eleições indiretas, por meio do impeachment, cassação da chapa Dilma/Temer ou da renúncia de Temer, como aponta a Globo a todo o momento, já é parte da narrativa golpista, que reafirma cinicamente que o processo constitucional deve ser respeitado, como se as instituições ainda cumprissem com alguma legalidade desde a consumação do golpe. Todo e qualquer ator do consórcio golpista que possa ser instalado no poder por eleições indiretas – incluindo aí o judiciário – ainda será regido pela ilegitimidade golpista.

As eleições indiretas, já propagandeadas, somente servirão como tampão para a instabilidade e não apontam nenhuma intenção de estancar os retrocessos já em curso no país. Com um clima de uma suposta “estabilidade”, o plano inicial do golpe – entreguista e de retrocessos nos direitos – seguirá seu curso. Para isso é necessário afirmar nesse momento a necessidade de eleições Diretas Já! Toda possibilidade de desgastar a estratégia golpista é necessária nesse momento! Tomar as ruas! Tomar Brasília! Tomar o Brasil!

2. ANULAÇÃO IMEDIATA DOS SAQUES CONTRA O POVO E CONTRA O PAÍS! NÓS NÃO VAMOS PAGAR PELA CRISE!

A estabilidade de Temer nunca foi objetivo do consórcio golpista. Seu real objetivo é o aumento da exploração e do entreguismo dos recursos estratégicos à Casa Branca, além da extinção dos direitos conquistados nos últimos 80 anos. (https://brigadaspopulares.org.br/golpe-petroleo-renda-e-privilegios/) Independente de quem estiver no Planalto, a Casa Grande quer que a política econômica pautada na cartilha da retirada de direitos e venda do país continue. Acabar com os direitos trabalhistas, a Justiça do Trabalho, a CLT, a Aposentadoria, o emprego, o Serviço Público, privatizar e terceirizar tudo são agendas desejadas há muito tempo pelas elites que, aproveitando o cenário de crise econômica e instabilidade política por elas mesmas criadas, resolveram colocar tudo em prática de uma vez. Os de cima seguem querendo aumentar seus lucros. Mesmo sendo a maioria, nós, os de baixo, estamos na situação inversa: não lucramos, somos explorados e temos necessidades básicas urgentes que ainda nem saíram do papel. A manutenção do corte de gastos, do desemprego, da precarização do trabalho continuará afetando nossa sobrevivência e esses ataques ferem com mais força as periferias, trabalhadores rurais, indígenas e quilombolas, mulheres e homens negros, que nunca tivemos acesso pleno ao que agora é negado a todo o povo.

Não são só direitos que são atacados: as traiçoeiras alianças políticas, econômicas e de manutenção de privilégios, prejudiciais à soberania nacional – como o leilão do Pré-Sal, o sucateamento da Petrobrás e a regularização da venda de terras à estrangeiros – denunciam a face entreguista e serviçal a favor da Casa Grande brasileira e à Casa Branca. As elites nacionais e internacionais que seguem lucrando muito, negam a resolução de questões básicas, como a reforma agrária, os conflitos no campo e o estabelecimento de uma dinâmica agropecuária dinâmica, sustentável, soberana e adequada às necessidades e condições do país.

E para garantir seus desejos iniciais, o golpismo não pensa duas vezes em lançar mão da violência. As velhas oligarquias do país só conseguem garantir seu projeto por meio do aumento da repressão, dada a falta de legitimidade política. O aumento da violência do Estado, a redução das instituições democráticas e os ataques às organizações populares têm provocado a intensificação da violência contra indígenas, quilombolas, trabalhadores urbanos e rurais que ousam denunciar os retrocessos. O encarceramento em massa aumenta, assim como o genocídio da juventude negra, a repressão na periferia e no campo, os ataques aos povos indígenas e aos imigrantes.

Por isso é necessário, para além da retirada de Temer e a convocação imediata de eleições diretas, exigir a anulação e congelar a pauta atual no congresso das medidas de retrocesso propostas por esse governo golpista!

3 – RE-MOBILIZAR A ESPERANÇA!

Nesse momento há chances de uma maior pressão sobre o parlamento que impeça o avanço da agenda golpista/entreguista e resulte num fortalecimento da mobilização popular. As pressões sociais e as mobilizações são cada vez maiores e, embora não suficientes até o momento para barrar a agenda golpista, demonstram que está no horizonte do povo a luta contra este projeto que tanto o ataca e que é possível a unidade entre diversos setores populares na resistência aos desmandos da Casa Grande e da Casa Branca.

É necessário que a insatisfação com o governo e as reformas potencialize o processo de lutas e das mobilizações populares para fazer frente ao consórcio golpista e que, ao mesmo tempo, acumule forças para a constituição de um campo político popular que impulsione propostas para a construção de um novo processo constitucional e projeto para o país, pois o pacto político que emergiu com a constituição de 1988 foi rompido.

Portanto, sem um acúmulo de forças que possibilite essa reorganização política e construção de um novo projeto com ampla participação popular, a elite nacional permanecerá dando as ordem pela manutenção dos poderes já estabelecidos

Quando ocorreu o golpe militar em 1964, o discurso da cúpula militar prometera a constituição de uma nova ordem democrática. Em 1967 um golpe dentro do golpe fora operado e a ditadura fora consolidada. Não podemos esperar que na institucionalidade atual prevaleça os interesses de uma elite que pouco se importa com as forças democráticas e com o estado de direito.

Para além do Fora Temer e Diretas Já, apostamos na construção de um amplo campo de resistência a partir dos de baixo, potencializando a insatisfação com o governo em capacidade de apresentar um projeto político real para a nação para além das eleições. As bases para esse projeto são a soberania nacional, democracia popular e direitos para todas e todos. O desafio colocado nesse momento é o de barrar os retrocessos, avançar com auditoria da dívida e impostos sobre grandes fortunas, defender o pré-sal, a Petrobrás e os recursos naturais, forjar uma nova democracia e garantir o pleno emprego e os direitos conquistados com muita suor pelo povo brasileiro em sua história de lutas. Nos dispomos a re-mobilizar a nossa esperança em torno de um projeto político voltado à vida, à alegria e à liberdade, necessárias para nossa emancipação como povo e nação brasileira.

Fora Temer! Diretas Já!
DIGNIDADE PARA O POVO E SOBERANIA PARA O BRASIL!

Mátria Livre! Venceremos!

DIGNIDADE! SOBERANIA! FORA TEMER! DIRETAS JÁ! – Nota de Conjuntura das Brigadas Populares
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