Como se não bastasse completar um ano do golpe institucional deferido pelas elites políticas do país, e a cada dia observarmos a perda crescente de direitos, viu-se, nesta semana, mais medidas da agenda das maldades serem aplicadas. Agora, no setor da saúde.

Foi no dia 31 de agosto que em reunião do ministério da saúde junto com secretários estaduais e municipais de saúde, que o governo ilegítimo aprovou a Nova Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). A atenção básica é simplesmente um dos pilares do sistema de saúde brasileiro, é nela onde é acompanhada a saúde da maioria da população do país.

A “Nova Política” vem em um texto enxuto e mal escrito, dizer que “vem trazer novos olhares sobre a atenção básica” e, como diz o ministro da saúde Ricardo Barros (PP – PR) “vem refletir sobre o real”. Ricardo Barros, que tem um histórico bastante obscuro em sua carreira política, onde teve financiamento de várias empresas privadas da saúde e é engenheiro civil, ou seja, nunca adentrou um centro de saúde da década de 90 e em uma unidade de saúde nos atuais tempos, para ver o quanto o SUS garantido pela Constituição de 88 avançou, no que tange à atenção à saúde da população brasileira.

Esse mesmo ministro está envolvido em vários casos de corrupção em seu estado de origem, o Paraná. Tanto que nos mês de julho deste ano, esteve em mais um escândalo – agora envolvendo sua família – quando a população de Curitiba protestou logo no dia do casamento de sua filha (Maria Vitória Barros – Deputada Estadual PP do Paraná), casamento este que teve parte das comemorações em um espaço público do patrimônio histórico e cultural da cidade.

Isso só vem esclarecer que estes atuais senhores que sentam nas cadeiras da direção do Estado brasileiro não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento da nação e muito menos com as políticas públicas construídas com muita luta nos últimos anos da nossa tão jovem e frágil democracia.

Neste mesmo momento, o atual coordenador nacional de saúde mental (Quirino Cordeiro – Psiquiatra Paulista que tem apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria, entidade crítica ao modelo de atenção em saúde mental brasileiro) deixa claro que o número de leitos em hospitais psiquiátricos deve aumentar, indo completamente contra à atual política nacional de saúde mental do ministério da saúde (MS).

Historicamente, o modelo de atenção em saúde mental sempre foi segregador e manicomial, tendo sua única vertente a internação prolongada e a segregação das pessoas portadoras de transtornos mentais.

Desde a lei 10.216 (Lei Paulo Delegado), iniciou-se no Brasil um novo olhar sobre a atenção dispensada às pessoas com sofrimento mental, enxergando essas pessoas como cidadãos de direitos e conseguindo dizer que o modelo de atenção deveria ser a construção de uma rede substituitiva ao manicômio. Foi assim que se iniciou a construção dos Centros de Atenção Psicossocial, unidades de tratamento prolongado em saúde mental, que contam com um menu amplo de práticas de atenção, que vão desde o tratamento nas formas de internação para os casos mais graves e em crises (leitos em unidades 24 h), até ao acompanhamento ambulatorial de casos também graves, mas que não estão em momentos de crise.

Esses são só mais alguns dos ataques que o sistema de saúde brasileiro e sua população irão sofrer nos próximos momentos.

Já passou da hora de somarmos força, construirmos unidade contra esses retrocessos e ataques sistemáticos aos direitos das trabalhadoras (es) brasileiras (os). É hora de lutar pelos nossos direitos, fazer uma resistência prolongada a partir dos de baixo, e não perder tempo e nem a convicção num projeto de nação que seja de fato popular e não de uma elite que continua se assemelhando aos senhores de engenho.

Não dá mais para esperar é tempo de resistir!

SAÚDE É LUTA!
NENHUM DIREITO A MENOS!

Brigadas Populares, Brasil
1 de Setembro de 2017.

Desmontes do Sistema Único de Saúde: mais um ataque ao povo brasileiro

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